Aung San Suu Kyi
Quem disser o seu nome junto de um militar corre o risco de ser imediatamente preso, sem sequer passar pelo tribunal. A "Dama de Bambu", a líder do principal partido de oposiçao na Birmânia, a Liga Nacional para a Democracia, é uma espinha atravessada na garganta dos generais que comandam o país. A "senhora", o "monstro" ou o "fenómeno" -nomes de código utilizados pelo povo_ está em prisão domiciliária desde de Maio de 2003. O número 54 da University Road, em Rangun, é a casa mais vigiada do país, quem tentar fotografar a sua vivenda é preso. Com a aproximação do sexagésimo aniversário de Aung San Suu Kyi no próximo Domingo, a junta militar birmanesa no poder, aumentou nos últimos dias o controle e detenção de opositores políticos e militantes dos direitos humanos.Aung San Suu Kyi nasceu em Rangun a 19 de Junho de 1945. O pai de Suu Kyi, o general Aung San, foi o pai-fundador do país. Nascido na aristocracia rural, tornar-se-ia líder estudantil e nacionalista convicto. Sonhava expulsar os Britânicos da sua terra colonizada no século XIX e, para tal, viria a comandar o Exército de Independência da Birmânia, treinado secretamente pelos Japoneses. Entraria na Birmânia à sua frente em princípio de 1942, para vir a mudar de lado em 1945, ajudando os Britânicos a pôr fim à ocupação japonesa. Mas esse serviço ao povo birmanês foi ceifado cedo: um rival político mandou abatê-lo em 1947, apenas 6 meses antes de a Birmânia declarar a independência. Tinha 32 anos. Suu Kyi tinha 2. Suu Kyi estudou na Índia e na Universidade de Oxford (Reino Unido) a partir de 1960, tendo posteriormente trabalhado nas Nações Unidas e passado a viver no Reino Unido. Quando regressou do Reino Unido, em 1988, fundou o movimento de oposição Liga Nacional para a Democracia, como protesto contra as violações dos direitos humanos e contra a brutal repressão da discordância na Birmânia e para lutar por reformas democráticas. Em Abril de 1989, escapou por pouco a uma tentativa de assassinato por parte de uma unidade militar birmanesa. Os militares tinham recebido ordens para matar a activista numa das muitas manifestações que encabeçava. Foi salva por uma contra-ordem de um oficial.Em Julho de 1989, o regime militar determinou a prisão domiciliária da activista pro-democracia. Suu Kyi foi colocada sob a lei marcial, que possibilitava a sua detenção sem acusação formada nem julgamento por um período de três anos. A activista birmanesa entrou em greve de fome para proteger os estudantes que haviam sido levados da sua casa para o Centro de Interrogação do regime. Foi reconhecida como objectora de consciência pela Amnistia Internacional.Apesar da detenção da sua presidente, em Maio de 1990 a Liga Nacional para a Democracia obteve um resultado extraordinário nas eleições gerais, tendo conseguido 82% dos votos. No entanto, a Junta Militar recusou-se a reconhecer os resultados das eleições. Em Outubro do mesmo ano, Suu Kyi foi galardoada com o Prémio Rafto para os Direitos Humanos e, em Julho de 1991, com o Prémio Sakharov (prémio para os Direitos Humanos do Parlamento Europeu).Em Agosto de 1991, o regime militar decidiu alterar a lei sob a qual Suu Kyi estava detida e aumentar para cinco anos o período de prisão sem acusação formada nem julgamento. Dois meses depois, a actividade pró-democracia da activista foi reconhecida com o Prémio Nobel da Paz, prémio esse que foi utilizado num fundo de saúde e educação para o povo birmanês criado por Suu Kyi.Em Janeiro de 1994, a Junta Militar voltou a alterar a lei marcial, adicionando-lhe mais uma ano de detenção. Suu Kyi foi posta em liberdade em Julho de 1995. Nunca deixando de parte os seus ideais, Suu Kyi prosseguiu na sua luta. Em Março de 2000, recebeu a condecoração irlandesa Freedom of the City, atrbuída pelo reconhecimento do seu activismo. Foi o seu filho, Kim Aris, que se deslocou a Dublin para receber o prémio. Em Setembro de 2000, Suu Kyi desafiou as autoridades militares birmanesas e anunciou que iria sair da capital do país. Em resposta, os militares montaram um verdadeiro cerco em volta dela e voltaram a colocá-la em prisão domiciliária, juntamente com outros líderes do partido. Em Dezembro de 2000, o reconhecimento pelo seu activismo chegou dos EUA. O então presidente Bill Clinton conferiu-lhe a maior condecoração civil do país - a Medalha Presidencial da Liberdade. Durante a prisão domiciliária, Suu Kyi recebeu a visita de uma delegação da União Europeia, de diplomatas norte-americanos e de representantes das Nações Unidas. Em Maio de 2002, depois de 19 meses em prisão domiciliária, Aung San Suu Kyi foi libertada. Desde Outubro de 2000 que Suu Kyi mantinha conversações secretas com uma delegação da Junta Militar.Suu Kyi continuou a defender a plena democracia e o desmantelamento do poder militar. No entanto os militares têm alegado que o país não se encontra preparado para a democracia. Suu Kyi conta com o apoio do Ocidente e da maioria das nações asiáticas. Foi novamente presa em fim de Maio de 2003 e ainda se encontra em prisão domiciliária. Tem recusado o fim da prisão domiciliária enquanto não forem libertados todos e cada um dos seus apoiantes. Aung San Suu Kyi transformou-se num símbolo da luta a favor da democracia na Birmânia, (Myanmar).
Hillary Clinton
Senadora dos EUA. Hillary nasceu em Park Ridge, Illinois, licenciou-se em Direito em Wellesley College (1969) e em Yale University Law School (1973). Em 1975, casou-se com Bill Clinton, então seu colega em Yale Law School. Exerceu advocacia enquanto o seu marido era attorney general e mais tarde governador do Estado do Arkansas. Durante esta época, Hillary ganhou prestígio nacional pelas suas colaborações em eventos relacionados com os direitos da mulher e da criança, através dos seus livros e processos de tribunal. Em 1991, antes de ser conhecida pela maioria dos americanos, o jornal The National Law Journal classificou Hillary como um dos cem melhores advogados dos EUA.
Durante a campanha presidencial de 1992, Hillary destacou-se como a dinâmica e imprescindível esposa de Bill Clinton e, já presidente, Clinton passou-lhe a pasta da Task Force on National Health Reform (1993). Inevitavelmente, surgiram acusações desde nepotismo antiquado até feminismo moderno. Outros observadores simplesmente reconheceram-na como um exemplo de nova mulher americana.
Durante o julgamento em tribunal de Bill Clinton, em 1998, Hillary foi felicitada pelos americanos por se manter sempre do lado do seu marido. No Verão 1999, depois de muita especulação, Hillary formou uma comissão para se preparar para uma eventual candidatura ao Senado representando Nova Iorque, em 2000. Hillary começou a aparecer junto da população de Nova Iorque, ouvindo os seus problemas sociais. A ideia era defender-se contra os possíveis ataques de do seu oponente Rudolph Giuliani, mayor de Nova Iorque. Em Setembro, a família Clinton adquiriu uma casa em Chappaqua, uma vila no condado de New York’s Westchester. Hillary entrou oficialmente na corrida ao Senado em Fevereiro de 2000.
Depois de Giuliani ter retirado a sua candidatura ao Senado devido a um cancro, a democrata enfrentou uma dura corrida contra o republicano Rick Lazio, representante de Long Island. A 7 de Novembro de 2000, Hillary Rodham Clinton tornou-se a primeira mulher na história dos Estados Unidos a ganhar um lugar no Senado.
Em 2003, Hillary Clinton lançou um livro de memórias, Living History/Vivendo a História, baseado, sobretudo, na sua experiência como primeira-dama dos EUA.
Marilyn Monroe
Marilyn Monroe nasceu a 1 de Junho de 1926, em Los Angeles. Filha de mãe solteira, frequentemente internada em instituições psiquiátricas, Marilyn teve uma infância difícil, tendo sido educada em orfanatos e lares adoptivos. Casou pela primeira vez aos 16 anos com um mecânico de aviões. Antes de se tornar estrela de cinema foi pin up em revistas e modelo. Voltou a casar em 1954, desta vez com o famoso jogador de basebol Joe DiMaggio. Depois do divórcio, casou-se pela terceira vez com o dramaturgo Arthur Miller, autor de The Misfits/Os Inadaptados (1960), o último filme da actriz. Foram objecto de muita especulação as supostas ligações que manteve com o presidente J.F. Kennedy e o seu irmão Bob Kennedy bem como com o actor Yves Montand. A sua vida de glamour foi dominada pela tragédia e infelicidade. Ainda iniciou as filmagens de Something’s Got to Give, que acabou por não terminar devido à morte prematura, em 1962, causada por uma overdose de comprimidos.
Estrela dos filmes de Hollywood na década de 50, Marylin imortalizou-se na tela pelo seu visual de loura, bela e voluptuosa. Considerada um dos símbolos sexuais do século século XX, foi contratada pelos estúdios Fox em 1946, mas só em 1950 começou a ter notoriedade, em filmes como Asphalt Jungle/Quando a Cidade Dorme, de John Huston e All About Eve/Eva, de Joseph Mankiewicz. Seguiram-se Monkey Business/A Culpa foi do Macaco, de Howard Hawks (1952) e Gentlemen Prefer Blondes/Os Homens Preferem as Loiras (1953). Especializou-se em comédias como How to Marry a Millionaire/Como se Conquista um Milionário (1953), The Seven Year Itch/O Pecado Mora ao Lado (1955), Bus Stop/Paragem de Autocarro (1956) e Some Like It Hot/Quanto Mais Quente Melhor (1959), criando o estereótipo da mulher-criança, a eterna inocente num corpo de pecado. A sua autobiografia, intitulada My Story, foi publicada em 1974. Após essa data e até 1990 foram publicadas nada menos do que 15 biografias desta actriz.
Clint Eastwood
Clint Eastwood nasceu a 31 de Maio de 1930, em São Francisco. Em 1955, fixou-se em Hollywood, fazendo pequenos papéis como actor. Foi em Itália que ganhou fama ao interpretar o herói «homem sem nome» com os chamados western spaghetti, dirigidos por Sergio Leone. Protagonizou a trilogia For a Fistful of Dollars/Por Um Punhado de Dólares (1964), The Good, the Bad, and the Ugly/O Bom, o Mau e o Vilão (1966) e For a Few Dollars More/Por Mais Alguns Dólares (1967).No início dos anos 70, criou a sua própria companhia produtora - a Malpaso Productions. O filme que o consagrou definitivamente como estrela de cinema foi Dirty Harry (1971). Como realizador dirigiu vários trabalhos na categoria de western, ganhando o respeito do público e da crítica. Em 1980, o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque produziu uma retrospectiva dos seus filmes e em 1985, na sequência também de uma retrospectiva do seu trabalho na Cinemateca Francesa, foi condecorado pelo governo francês. De 1986 a 1988 foi eleito presidente da câmara de Carmel, na Califórnia.Da filmografia de Clint Eastwood enquanto actor destacam-se: The Good, the Bad, and the Ugly/O Bom, o Mau e o Vilão (1966), Where Eagles Dare/O Desafio das Águias (1969), Kelly’s Heroes/Heróis Por Conta Própria (1970), The Beguiled/Ritual de Guerra (1971), High Plains Drifter/O Pistoleiro do Diabo (1973), The Outlaw Josey Wales (1976), The Gauntlet/Barreira de Fogo (1977), Any Which Way You Can/O Regresso do Rebelde (1980), Honkytonk Man (1982), Tightrope/Um Agente na Corda Bamba (1984), Pale Rider/O Justiceiro Solitário (1985), The Dead Pool/Na Lista do Assassino (1988), White Hunter, Black Heart/Caçador Branco, Coração Negro (1990), Unforgiven/Imperdoável (1992), In The Line of Fire/Na Linha de Fogo (1993), A Perfect World/Um Mundo Perfeito (1993), The Bridges of Madison County/As Pontes de Madison County (1995), Wild Bill: Hollywood Maverick (1996), Absolute power/Poder Absoluto (1997), City (1998), True Crime/Um Crime Real (1999), Space Cowboys/Cowboys do Espaço (2000) e Blood Work/Dívida de Sangue (2002).A sua carreira de realizador conta já com vários títulos: The Gauntlet/Barreira de Fogo (1977), Bird/Fim do Sonho (1988), White Hunter, Black Heart/Caçador Branco, Coração Negro (1990), Unforgiven/Imperdoável (1992), galardoado com os Óscares de melhor filme e melhor realizador, A Perfect World/Um Mundo Perfeito (1993), The Bridges of Madison County/As Pontes de Madison County (1995), Absolute power/Poder Absoluto (1997), Midnight in the Garden of Good and Evil/Meia-noite no Jardim do Bem e do Mal (1997), True Crime/Um Crime Real (1999), Space Cowboys/Cowboys do Espaço (2000), Blood Work/Dívida de Sangue (2002) e Mystic River (2003).Em 2003, Clint Eastwood foi candidato à Palma de Ouro do Festival de Cannes com o filme realizado por si, Mystic River. Apesar de não ter ganho o galardão máximo do festival, Eastwood saiu de Cannes com o Carosse d´Or, um prémio atribuído por um conjunto de cineastas franceses a um realizador de carreira. Em 2004, Mystic River voltou a receber novas nomeações, desta feita para os Óscares. O filme foi nomeado em seis categorias:Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actor Principal, Melhor Actor Secundário, Melhor Actriz Secundária e Melhor Argumento Adaptado.Em 2005, o realizador voltou a dar cartas. O seu filme Million Dollar Baby arrebatou dois Globos de Ouro: o de Realizador e o de Actriz Dramática, para Hilary Swank. Na cerimónia dos Óscares, venceu 4 estatuetas douradas: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actriz Principal e Melhor Actor Secundário. Fonte Biblioteca Universal.
George Mallory
O corpo do alpinista britânico George Mallory, desaparecido no monte Evereste em 8 de Junho de 1924, foi encontrado a 01 Maio 1999, 600 metros abaixo do cume, pela equipa do norte-americano Eric Simonson.Em 1921 Charles Bell, diplomata britânico encarregado dos negócios com o Tibete, depois de muita pressão, persuadiu o 13º Dalai Lama a permitir uma primeira expedição de reconhecimento ao Evereste. Organizada em 1921, montada pela Sociedade Geográfica Real, com montanhistas do Clube Alpino, ela foi chefiada por C. K. Howard-Bury. Embora composta por montanhistas experientes, tratava-se de experiência em montanhas europeias, com a metade da altura do Evereste. Muito pouco era conhecido sobre os efeitos da altitude, bem como roupas e equipamentos específicos para o ambiente que iriam enfrentar, sendo muitas das melhores avaliações da época impróprias para os padrões actuais. Os nove membros da expedição não formavam o que se poderia chamar de uma grande equipa e após uma extenuante caminhada de 640 quilómetros, desde Sikkim, na Índia, apenas seis chegaram à base da montanha. Para ajudá-los, os britânicos contrataram alguns sherpas que haviam imigrado do Nepal para a Índia. Mas a principal figura da expedição foi George Mallory. Com seu parceiro de montanhismo, G. H. Bullock, gastou um árduo mês explorando a área que o levaria com menor dificuldade até o sopé da montanha, o misterioso glaciar Rongbuk oriental. Ficou óbvio que o Verão, durante o período das monções, não era a época mais favorável para qualquer coisa que se quisesse fazer nos Himalaias. Mas, apesar disto, e dos precários equipamentos, três sherpas e três alpinistas, incluindo George Mallory, alcançaram o Colo Norte, a 6.700 metros de altitude. O incansável George Mallory continuou bisbilhotando a montanha até chegar ao passo Lho, 6.006 metros, uma falha na cordilheira que permitia passar do Tibete para o Nepal. Dali ele pode fazer uma minuciosa observação do glaciar que cobria o vale entre o Evereste e o Nuptse, acima da Cascata de Gelo, o qual baptizou de Cwm – vale, em galês – Ocidental, além de se tornar o primeiro europeu a ver a Cascata de Gelo e o vale Khumbu, no lado nepalês. Mallory voltou para o acampamento e, depois de trocar muitas informações com os outros alpinistas, concluiu ser a Cascata de Gelo um caminho intransponível. Portanto, o melhor era continuar tentando pelo lado tibetano, através do Colo Norte, localizado entre o Evereste e o Changtse, que ficava bem em frente, e a partir dali escalar pela aresta norte, à esquerda da face norte.Em 1922, uma nova expedição, liderada pelo general C.G. Bruce, iniciou sua jornada antes das monções e gabava-se de ser formada por um grande equipa de 13 pessoas, inclusive um cineasta, e estar abastecida com alimentação especial: champanhe, caviar e esparguete. Que congelou nos campos mais altos. Eles realmente tinham uma alimentação bem mais adequada, mas as roupas não. Eles usavam chapéu, óculos escuro, machadinhas de gelo e cordas, como se estivessem indo para um passeio num parque inglês no Inverno. Para facilitar a logística da operação, diversos acampamentos intermediários foram estabelecidos. O acampamento IV foi montado no Colo Norte e o acampamento V a uma altitude de 7.600 metros. Embora fosse claro que este campo estava baixo demais para servir como base de um ataque ao cume, a primeira tentativa foi feita por George Mallory, Edward Norton e Howard Somerval. Eles subiram a 8.150 metros, sem oxigénio suplementar, antes de descerem com sintomas de congelamento. A segunda tentativa foi realizada por George Finch e C.G.Bruce. Passaram a noite dormindo com auxílio de oxigénio suplementar, o que os manteve melhor aquecidos e permitiu-lhe um bom sono, embora alguns membros da expedição fossem contra por acharem tal atitude anti desportiva. Partiram pela manhã levando apenas uma garrafa térmica de chá e subiram até 8.323 metros, estabelecendo um novo recorde de altitude. A terceira tentativa terminou prematuramente 200 metros abaixo do Colo Norte, quando uma avalanche colheu nove sherpas, matando sete. O Evereste começava a cobrar seu tributo de quem o ousava desafiar. Mas eles não desistiram, iniciando uma campanha de arrecadação de fundos para voltarem aos Himalaias. Durante um ciclo de palestras pelos Estados Unidos, ilustradas com slides das expedições anteriores, quando um irritante jornalista perguntou porque motivo alguém teria que escalar o Evereste, George Mallory respondeu com o que veio a tornar – se a mais célebre frase da história do montanhismo:- Porque ele está lá!Em 1924, montou-se nova expedição. Eles ainda não tinham roupas adequadas, especialmente roupas de baixo. A cada alpinista foi entregue um kit de vestimentas no valor de 100 dólares. Edward Norton, chefe da expedição, era o mais bem equipado. Gabava-se de usar macacão corta-vento, um blusão de couro e um capacete de motociclista. Mas lá estavam eles de novo: George Mallory, Andrew Irvine, Edward Norton, Howard Somerval e mais cinco alpinistas. Violenta tormenta atacou-os, ainda no início da expedição, danificando o equipamento de oxigénio e obrigando-os a voltarem para se abrigarem no mosteiro Rongbuk, onde receberam a bênção do Lama, o que eles, imprudentemente, não haviam feito quando passaram pelo local em direcção ao acampamento-base. O acampamento VI foi estabelecido a 8.170 metros, tendo Edward Norton e Howard Somerval dormido no local. Iniciaram o ataque no dia seguinte, muito cedo, mas Howard Somerval foi vencido por um sério ataque de tosse. A garganta inchada congelou, quase sufocando-o. Edward Norton seguiu sozinho montanha acima, vencendo, passo a passo, a encosta coberta de neve, até chegar aos 8.572 metros – meros 276 metros abaixo do cume –, estabelecendo um novo recorde de escalada sem oxigénio artificial, uma marca fantástica para a época, só superada em 1978.Se Edward Norton tivesse oxigénio, possivelmente teria alcançado o cume. Naquela noite, com Edward Norton exausto e sofrendo de nifablepsia, uma cegueira temporária provocada pela reflexão da luz solar na neve, e Howard Somerval fora de acção, George Mallory escolheu o jovem e inexperiente Andrew Irvine para acompanhá-lo na tentativa do próximo dia, embora Noel Odell estivesse mais bem aclimatado e em melhores condições físicas. Os sherpas acompanharam George Mallory e Andrew Irvine até o acampamento VI, ponto em que desistiram de prosseguir, tais eram as condições adversas do clima. Após um breve descanso, regressaram para informar que apesar do fogareiro ter despenhado montanha abaixo, tudo estava bem, e que os dois europeus prosseguiriam. Na manhã seguinte, 8 de Junho de 1924, o tempo estava terrível, fazendo com que George Mallory e Andrew Irvine deixassem o acampamento avançado muito tarde. Enquanto esperavam para ver se as condições melhoravam, perderam estimáveis minutos, erro que provavelmente lhes tirou a vida. George Leigh Mallory estava com 38 anos, nasceu em 1886. Filho da alta burguesia inglesa, professor, casado e pai de três filhos, era considerado o melhor alpinista britânico da sua época. Dotado de refinada cultura e alto idealismo, possuía também uma apurada sensibilidade romântica. Nos acampamentos no Evereste, ele costumava ler Shakespeare para seus colegas de barraca. Naquela manhã de 1924, enquanto George Mallory e Andrew Irvine subiam, com extrema dificuldade, em direcção ao topo do mundo, Noel Odell escalava do acampamento V ao acampamento VI para estudar a geologia das rochas ao longo do caminho. Às 12h50, numa das suas paradas, as nuvens abriram uma brecha no céu e ele pode ver a silhueta dos dois companheiros subindo em direcção ao cume. Uma forte tempestade de neve formou-se na parte de cima do Evereste e, quando clareou, duas horas mais tarde, deixando visível a crista noroeste, não existia mais sinal dos alpinistas. Os dois nunca mais foram vistos. Teriam atingido o cume antes de morrerem? Seriam George Mallory e Andrew Irvine os primeiros a terem escalado o ponto mais alto do planeta? Eles haviam morrido na subida ou na descida? A verdade é que o desaparecimento deu origens a um sem-fim de conjecturas sobre se eles conseguiram ou não atingir o cume antes de morrerem. Montanhistas de expedições subsequentes, ao observarem o local onde Noel Odell avistou Mallory e Irvine pela última vez, concluíram que, Mallory e Irvine possivelmente não teriam chegado ao cume. Em 1980, durante uma expedição japonesa, um dos carregadores chineses, Wang Hongbao, procurou o chefe da equipa alegando que cinco anos antes, enquanto participava de uma expedição chinesa, havia encontrado, perto de onde estavam, o cadáver de um alpinista britânico com roupas muito antigas, sentado num terraço nevado a 8.100 metros de altitude. Se a informação estivesse correcta, certamente seria o corpo de Mallory ou Irvine. Como eles carregavam máquinas fotográficas, poderia – se ficar a saber se haviam ou não chegado ao cume. Mas o mistério continuou porque no dia seguinte o próprio carregador chinês morreu sob uma gigantesca avalanche que desabou sobre seu acampamento.
Tenzing Norgay
O nascimento de Tenzing Norgay talvez tenha sido humilde mas estava imbuído de bons presságios. Os pais viviam numa aldeia de alta montanha, Thame de seu nome, no Nepal, mas à data do seu nascimento, corria o ano de 1914, os seus pais estavam em peregrinação a um lugar sagrado, chamado Ghang Lha no leste Nepal.O pequeno Namgyal, foi este o nome que os pais lhe deram, Namgyal Wangdi, acabou por nascer neste lugar sagrado para os budistas. Mais tarde um Lama mudou-lhe o nome para Tenzing Norgay (Norgay quer dizer afortunado) e o jovem Tenzing sempre pensou que tinha sido bafejado pela sorte e tinha uma Graça especial. O seu destino estava traçado desde de muito novo, ser guardador de iaques na alta montanha, no sopé do Monte Evereste. Tenzing Norgay, acreditava quando era criança que nessa montanha viviam os deuses e observava-a fascinado, enquanto cuidava dos iaques de seu pai. “Não sei por quê, mas desde criança sentia que precisava de chegar ao cume dessa montanha”, comentou em 1953, poucas semanas depois de sua façanha. Por volta dos treze anos, fez uma viagem secreta, sem autorização dos pais, a Kathmandu, a capital do Nepal, no regresso decidiu que teria fazer tudo para poder chegar ao cimo do monte Evereste. Assim, cinco anos mais tarde, outra vez sem a permissão dos pais, mudou-se para Darjeeling na Índia, com a esperança de se juntar a uma Expedição Britânica ao Monte Evereste que se estava a organizar aí. Por um golpe de sorte, Tenzing entra na equipa de Eric Shipton´s, na Expedição Britânica ao Evereste de 1935. Tinha 19 anos e era recém-casado, com Dawa Phuti, uma rapariga Sherpa que vivia em Darjeeling. A sua performance foi tão boa que firmou uma reputação lendária de tenacidade, que fez com que não tivesse mais dificuldades em ser contratado nas expedições seguintes, nomeadamente as expedições de 1936 e 1938.Com a chegada da Segunda Guerra Mundial, as grandes expedições ao Evereste ficaram paradas, mas Tenzing não deixou de escalar. Apesar do seu nome estar ligado ao Evereste, também participou em expedições ao, Nanda Devi, na Índia, Tirich Mir e Nanga Parbat no Paquistão, Chomo-Langma no Nepal, e Garwhal, na Índia, sendo estes dois últimos escalados pela primeira vez, por Tenzing Norgay e companheiros de escalada. Entretanto a sua primeira mulher, Dawa Phuti morreu em 1944, e Tenzing volta a casar um ano mais tarde, com Ang Lhamu, outra Sherpa. Em 1947 acompanhou Earl Denman, quando este tentou a subida solitária ao topo do Evereste. No ano seguinte, acompanhou o famoso tibetologista Giuseppe Tucci, numas escavações arqueológicas no Tibete, e contra tudo o que se podia pensar, foi uma das poucas pessoas que teve a possibilidade de privar com o excêntrico e irascível Professor. Mas o seu objectivo de sempre era o cume do Monte Evereste. Num mundo em mudança com a chegada ao fim da Segunda Guerra Mundial, o Nepal abriu as suas fronteiras aos estrangeiros ao mesmo tempo que os chineses invadiram e ocuparam o Tibete, fechando a rota Norte. Outros países interessaram-se por ser os primeiros a por os seus homens no cume do Monte Evereste, o monopólio das Expedições Britânicas nas tentativas de conquistar o Evereste estavam a chegar ao fim. Em 1952 Tenzing Norgay foi convidado a juntar-se à expedição Suiça, não como carregador Sherpa mas como companheiro de escalada, nas duas tentativas protagonizadas para alcançar o cume. Foi na primeira destas duas tentativas que Tenzing Norgay chegou a mais de 8600 metros – um recorde até então – com o companheiro de escalada Raymond Lambert. A segunda tentativa, no Inverno, falhou devido ás más condições atmosféricas. Durante um período aproximado de vinte anos, Tenzing Norgay fez parte de todas as expedições que tentavam por um homem no topo do Monte Evereste. Nesta época, apesar dos companheiros Sherpas, fazerem as escaladas por dinheiro, era uma questão de sobrevivência, Tenzing Norgay queria desesperadamente chegar ao cume do Monte Evereste. Tinha devotado uma boa parte da sua vida a este objectivo. “ Pelo meu coração” disse uma vez “ tinha que ir... o pulsar do Evereste era mais forte do que qualquer outra força da Terra”Se houvesse alguém que merecia ser o primeiro a pisar o cume do Monte Evereste, esse alguém era indiscutivelmente Tenzing Norgay. Os britânicos sentiam que a expedição de 1953, seria a última chance de serem os primeiros a chegarem ao topo do Evereste e planearam a expedição como tal. Em 1953, Tenzing, realizava a sua sétima tentativa de conquistar o “tecto do mundo”. “Ninguém fez mais tentativas de escalar o Evereste do que eu” comentava. “Pequeno e concentrado”, como costumava-se definir, Norgay demonstrava força, resistência e uma agilidade que lhe valeram o apelido de “Tigre das neves”.Ao chegar ao topo do Evereste no dia 29 de Maio de 1953, Tenzing Norgay, budista fervoroso, ergueu um pequeno altar, a Sagarmatha, (nome em nepalês do Monte Evereste, e que quer dizer, a deusa mãe da Terra) onde deixou chocolate, uma lapiseira, que tinha recebido de presente da sua filha, além de outras oferendas. “Nunca estive ante semelhante vista e nunca voltarei a estar: selvagem, maravilhosa e terrível. Mas não senti nenhum medo: tinha muito carinho pelo Evereste. Havia esperado por este momento durante toda minha vida. Minha montanha não me pareceu uma coisa morta de rocha e gelo, mas quente, amiga e viva”, contou Norgay. Tenzing Norgay converteu-se rapidamente numa celebridade, distinguido pela coroa britânica e recebido pelo Papa. Recebeu a mais alta condecoração do Nepal a “Nepal Tara”. O governo indiano colocou-o à frente de uma escola de sherpas, Hymalayan Mountaineering Institute, posto que ocupou durante 22 anos e a sua popularidade serviu-lhe para defender a causa do seu povo, identificado desde então com as expedições nos Himalaias. Depois do Evereste, Norgay lançou-se noutras aventuras. Em 1963, escalou o monte Elbruz (5.642 metros) no Cáucaso, junto com sete montanhistas soviéticos. Também organizou expedições no Nepal para clientes endinheirados, mesmo sem deixar de lamentar a mercantilização dos Himalaias. Passou os seus últimos anos junto da sua terceira esposa, Daku de seu nome, a sua segunda mulher Ang Lahamu tinha morrido em 1964, numa aldeia indiana, Darjeeling, entre Nepal e Butão. Morreu no dia 9 de Maio de 1986, aos 72 anos. A procissão formada para seguir o funeral tinha mais de um quilómetro de comprimento. Edmund Hillary, seu companheiro na conquista do Evereste, disse “sentir-se profundamente traumatizado” com o desaparecimento do mais extraordinário montanhistas de todos os tempos.Um dos seus três filhos, Jamling, seguiu as pisadas do pai e chegou ao cume do Monte Evereste em 1996.
Sir Edmund Hillary
O apicultor neozelandês Edmund Hillary era apenas um praticante de alpinismo, mas viu-se catapultado repentinamente para a glória quando, se tornou o primeiro homem a chegar ao topo do Evereste, ao lado do sherpa nepalês Tenzing Norgay.Hillary continuou sendo um homem simples, quase chateado com sua fama mundial, como prova o facto de que as únicas imagens da façanha são as fotos que mostram o seu companheiro de aventura no cume da maior montanha do mundo, de 8.848 metros. “Senti satisfação, mas não de forma exaltada, quando cheguei ao topo do mundo”, disse ele. Hillary declarou diversas vezes que a sua acção em favor dos povos e da conservação dos Himalaias lhe pareciam mais importantes do que a recordação das suas façanhas pessoais.Segundo filho de Gertrude e Percy Hillary, Edmund nasceu no dia 20 de Julho de 1919 em Auckland. Ele define-se como um “jovem pobre do campo”, que começou a praticar o montanhismo aos 12 anos, nos picos e glaciares da Nova Zelândia. Durante a Segunda Guerra Mundial esteve na Força aérea, e em 1946 começou a dedicar-se à criação de abelhas com o seu irmão. Porém, outros caminhos o aguardavam. Seu tipo físico – 1,90 metro e capacidade pulmonar de 7 litros, contra 5 litros dos seres humanos comuns -permitiu que se alistasse em 1951 na primeira expedição neozelandesa aos Himalaias. Depois, foi seleccionado como integrante de uma equipe de reconhecimento do Evereste, liderada pelo coronel britânico John Hunt. No dia 29 de Maio de 1953, pela manhã, a expedição estava no acampamento IX, a 8500 metros de altitude. Hillary e Tenzing Norgay iniciaram então a conquista do último trecho, equipados com tubos de oxigénio. Às 11h30 alcançaram o topo do mundo e entraram para a história.Fama não deslumbrou HillaryOutro integrante da expedição, George Lowe, relatou o retorno de Hillary ao campo IX. “Ed tirou a máscara e saudou-nos com um sorriso expressivo. Sentou-se no gelo e disse, com a simplicidade que o caracteriza: Pronto, liquidamos o bastardo”.A fama chegou de modo imediato. A rainha da Inglaterra, concedeu-lhe um título de “Sir”, no ano da sua coroação. No entanto, Hillary manteve a sua humildade. “Não fizemos mais do que subir uma montanha”. “A vista não tinha nada de grandiosa. Tudo era chato e monótono”, são algumas de suas frases.Hillary voltou para a Nova Zelândia e casou-se com Louise Rose, com quem teve três filhos: Peter, Sarah e Belinda. Participou em diversas expedições, incluindo o Pólo Sul, mas consagrou-se sobretudo a ajudar o povo sherpa, pelo qual possui um grande afecto.Em Abril de 1975, a sua esposa e a sua filha Belinda faleceram num acidente de avião no Nepal, onde participariam num dos seus projectos. Em 1989, aos 70 anos, casou com June Mulgrew, viúva de um alpinista neozelandês.
João Paulo II
Karol Wojtyla nasceu em 18 de Maio de 1920 em Wadowice, sul da Polónia. Filho de Karol Wojtyla, um militar do exército austro-húngaro, Emilia Kaczorowsky.Os pais de Karol Wojtyla baptizaram-no poucos dias depois nascer na Igreja de Santa Maria de Wadowice. Aos 9 anos de idade recebeu um duro golpe: o falecimento da sua mãe ao dar à luz a uma menina que morreu antes de nascer. Anos mais tarde faleceu o seu irmão e em 1941 morreu o seu pai.Quando jovem, o futuro Pontífice mostrou uma grande paixão pelo teatro e as artes literárias polacas. Tanto, que ainda no colégio pensava seriamente na possibilidade de continuar os estudos de filologia e linguística polaca, mas um encontro com o Cardeal Sapieha durante uma visita pastoral, fez-lhe considerar seriamente a possibilidade de seguir a vocação que tinha impressa no coração: o sacerdócio.Com a anexação da Polónia durante a Segunda Guerra Mundial pela Alemanha as Universidades da Polacas são encerradas, com o objectivo de liquidar os maiores pensadores da cultura polaca. Frente a esta situação Karol Wojtyla com um grupo de jovens organizaram uma Universidade clandestina onde estudou filosofia, línguas e literatura. Pouco antes de decidir o seu ingresso no seminário, o jovem Karol teve que trabalhar arduamente como operário numa pedreira. Segundo relata o hoje Pontífice, esta experiência ajudou-o a conhecer de perto o cansaço físico, assim como a simplicidade, sensatez e ardor religioso dos trabalhadores e dos pobres.Em 1942 ingressou no Departamento teológico da Universidade Jaguelloniana. Durante estes anos teve que viver escondido, junto com outros seminaristas, que foram acolhidos pelo Cardeal de Cracóvia.Em 1 de Novembro de 1946, com a idade de 26 anos, Karol Wojtyla foi ordenado sacerdote no Seminário Maior de Cracóvia e celebrou sua primeira Missa na Cripta de São Leonardo na Catedral de Wavel. Em pouco tempo obteve a licenciatura de Teologia na Universidade Pontifícia de Roma Angelicum e mais tarde doutorou-se em Filosofia. Durante algum tempo desempenhou as funções de professor de ética na Universidade Católica de Dublin e na Universidade Estatal de Cracóvia, onde interagiu com importantes representantes do pensamento católico polaco, especialmente na vertente conhecida como “tomismo lublinense”.Em 23 de Setembro de 1958 foi consagrado Bispo Auxiliar do Administrador Apostólico de Cracóvia, Dom Baziak, convertendo-se no membro mais jovem do Episcopado Polaco. Participou do Concílio Vaticano II, onde participou activamente, especialmente nas comissões responsáveis por elaborar a Constituição Dogmática sobre a Igreja Lumen Gentium e a Constituição conciliar Gaudium et Spes. Durante estes anos, o então Bispo Wojtyla combinava a produção teológica com um intenso trabalho apostólico, especialmente com os jovens, com quem compartilhava tanto momentos de reflexão e oração como espaços de distracção e aventura ao ar livre.Em 13 de Janeiro de 1964 faleceu Dom Baziak, ocupando D. Wojtyla o lugar na diocese de Cracóvia como Bispo - titular. Dois anos depois, o Papa Paulo VI converte Cracóvia em Arquidiocese. Durante seu trabalho como Arcebispo, o futuro Papa caracterizou-se pela integração dos leigos nas tarefas pastorais, na promoção do apostolado juvenil e vocacional, na construção de templos apesar da forte oposição do regime comunista, na promoção humana e formação religiosa dos operários e no incentivo ao pensamento e as publicações católicas.Em Maio de 1967, aos 47 anos de idade, o Arcebispo Wojtyla foi nomeado Cardeal pelo Papa Paulo VI. Em 1974 o novo Cardeal ordenou 43 novos sacerdotes, na ordenação sacerdotal mais numerosa desde que terminou a Segunda Guerra Mundial.Em 1978 morre o Papa Paulo VI e é eleito novo Papa o Cardeal Albino Luciani de 65 anos que tomou o nome de João Paulo I. O “Papa do Sorriso”, entretanto, falece passados 33 dias da sua nomeação. Em 16 de Outubro de 1978, logo depois de um novo conclave, o Cardeal polaco Karol Wojtyla é eleito como o sucessor de São Pedro, quebrando a tradição de mais de 400 anos de escolher Papas de origem italiana. Em 22 de Outubro de 1978 foi investido como Sumo Pontífice assumindo o nome de João Paulo II. A 13 de Maio de 1981, foi atingido a tiro e gravemente ferido durante uma tentativa de assassinato quando entrava na Praça de São Pedro, no Vaticano.João Paulo II publicou livros de poesia e, sob o pseudónimo Andrzej Jawien, escreveu uma peça de teatro, “A Loja do Ourives” (1960). Os seus escritos éticos e teológicos incluem “Amor Frutuoso e Responsável” e “Sinal de Contradição”, ambos publicados em 1979. A sua primeira Encíclica, “Redemptor Hominis” (Redentor dos Homens, 1979), explica a ligação entre a redenção por Cristo e a dignidade humana. Encíclicas posteriores defendem o poder da misericórdia na vida dos homens (1980), a importância do trabalho como “forma de santificação” (1981), a posição da Igreja na Europa de Leste (1985), os males do Marxismo, materialismo e ateísmo (1986) o papel da Virgem Maria como fonte da unidade Cristã (1987), os efeitos destrutivos da rivalidade das super-potências (1988), a necessidade de reconciliar o capitalismo com a justiça social (1991) e uma argumentação contra o relativismo moral (1993). A 11ª encíclica de João Paulo II, “Evalegium Vitae” (1995), reitera a sua posição contra o aborto, controlo de natalidade, fertilização in vitro, engenharia genética e eutanásia. Defende também que a pena capital nunca é justificável. A sua 12ª encíclica, “Ut Unum Sint” (1996) refere temas que continuam a dividir as igrejas Cristãs, como os sacramentos da Eucaristia, o papel da Virgem Maria e a relação entre as Escrituras e a tradição. Nos anos 80 e 90, João Paulo II efectuou várias viagens, incluindo visitas a África, Ásia e América; em Setembro de 1993 deslocou -se às repúblicas do Báltico na primeira visita papal a países da ex. União Soviética. João Paulo II influenciou a restauração da democracia e liberdades religiosas na Europa de Leste, especialmente na sua Polónia natal. Reagindo ferozmente à dissidência no interior da Igreja, reafirmou os ensinamentos Católicos Romanos contra a homossexualidade, aborto e métodos “artificiais” de reprodução humana e controlo de natalidade, assim como a defesa do celibato dos padres. No ano 2000, o Ano Sagrado em que a Igreja reflectiu os seus 2000 anos de História, João Paulo II pediu perdão pelos pecados cometidos pelos Católico Romanos. Apesar de não ter mencionado erros específicos, diversos cardeais reconheceram que o papa se referia ás injustiças e intolerância do passado relativamente aos não-Católicos. Nestes males reconhece - se o período das Cruzadas, da Inquisição e a apatia da igreja. O pedido de desculpas precedeu uma deslocação de João Paulo II à Terra Santa. João Paulo II resistiu à secularização da igreja. Ao redefinir as responsabilidades da laicização, dos padres e das ordens religiosas, rejeitou a ordenação das mulheres e opôs - se à participação política e à manutenção de cargos políticos pelos padres. Os seus movimentos ecuménicos iniciais foram dirigidos para a Igreja Ortodoxa e para o Anglicanismo, e não para o Protestantismo Europeu. João Paulo II visitou Portugal por três vezes: a primeira visita de João Paulo II a Portugal, de 12 a 15 de Maio de 1982, ocorreu um ano após o atentado de que foi vítima em 13 de Maio de 1981. Em 2 de Março de 1983 fez escala em Lisboa viagem à América Central De 5 a 13 de Maio de 1991 esteve nos Açores, Lisboa, e novamente em Fátima. Uma outra visita, em que beatificou os videntes de Fátima, teve lugar em 12 e 13 de Maio de 2000.
Humberto Delgado
O centenário do nascimento de Humberto Delgado assinala-se hoje com o lançamento de um livro sobre a carreira aeronáutica do piloto-aviador que fundou a TAP a pedido de Salazar, vinte anos antes de ser assassinado pelo regime. Conhecido pelos portugueses desde 1958, a partir da sua candidatura a Presidente da República, como o «general sem medo», Humberto Delgado notabilizou-se primeiro numa carreira militar dedicada à aeronáutica e à aviação civil, ao serviço do regime de Salazar, de quem foi admirador e, mais tarde, principal opositor. A Fundação Humberto Delgado, presidida pela filha mais nova do general, Iva Delgado, decidiu lembrar essa faceta, lançando, o livro «Humberto Delgado e a Aviação Civil», editado pela Chaves Ferreira Publicações e pela ANA-Aeroportos de Portugal. A obra é da autoria de Frederico Rosa, neto de Delgado, doutorado em Etnologia pela Universidade de Paris, que se dedica desde 2001 à investigação da carreira militar e aeronáutica do avô e é actualmente coordenador do Arquivo Digital da Fundação Humberto Delgado (Lusa).Bastou uma simples frase, para que Humberto Delgado, escrevesse o seu destino na história política de Portugal contemporâneo. O episódio a que esta frase se refere, passou-se no café lisboeta, Chave D'Ouro, no dia 10 de Maio de 1958, respondendo a uma pergunta feita pelo jornalista Mário Neves, sobre qual seria o destino do Presidente do Conselho, Oliveira Salazar, se o general vencesse as eleições, disse: "demito-o, obviamente", a afirmação passaria à história com as palavras em ordem inversa.Humberto Delgado nasceu a 15 de Maio de 1906 em Boquilobo, Torres Novas. Cedo ingressou na carreira das armas, frequentando o Colégio Militar e a Escola do Exército onde se formou em Artilharia em 1925. Participou no golpe militar de 28 de Maio de 1926 que depôs o regime republicano. Em 1928 optou pela carreira da Aeronáutica obtendo o curso de oficial piloto aviador.Em 1936 conclui o curso de Estado-Maior. Em 1942 foi nomeado representante do Ar para as negociações com a Inglaterra para a cedência de bases nos Açores. Devido à eficiência demonstrada, o governo inglês outorgou-lhe a Ordem do Império Britânico (CBE), salientando que arriscara a sua carreira e o seu futuro pela causa dos Aliados e da liberdade. Em 1944 é nomeado director-geral do Secretariado de Aviação Civil.Em 1945 funda os Transportes Aéreos Portugueses (TAP) e cria as primeiras linhas aéreas de ligação com Angola e Moçambique, a chamada “Linha Imperial”. Em 1952 é nomeado adido militar na Embaixada de Portugal em Washington e membro do comité dos representantes militares da NATO. Promovido a general com 47 anos é o mais novo oficial daquela patente. Em 1956 o Governo Americano concedeu-lhe o grau de oficial da Ordem de Mérito.Em 1958, acedendo ao convite da oposição democrática, apresentou-se como candidato independente às eleições presidenciais.A vasta movimentação popular que se seguiu permitiu criar pela primeira vez em três décadas de ditadura uma dinâmica de unidade da oposição contra o regime salazarista.O carisma do “General sem medo” surgiu como um fenómeno inesperado, bem como a erupção de massas no processo eleitoral. O candidato da oposição anunciou o então facto inédito de não desistir da ida às urnas. Após os incidentes e tumultos ocorridos no Porto e em Lisboa, a 14 e 16 de Maio, a polícia política (PIDE) aumentou a repressão contra a população que participava espontaneamente na campanha apelidada de “subversiva” pela imprensa controlada.Apesar do mecanismo eleitoral ser manipulado desde o recenseamento, apesar das dificuldades intransponíveis na cópia dos cadernos eleitorais e na distribuição por parte da oposição dos boletins de voto, ainda assim o Estado Novo, temendo um enorme desaire eleitoral, decretou a proibição da fiscalização do escrutínio por parte da oposição.Os números oficiais deram quase 25% dos votos a Humberto Delgado, contra 75% do candidato oficial, Américo Tomás, não sendo possível ainda hoje apurar os resultados reais dada a amplitude da fraude. Com medo de no futuro passar por um outro “golpe constitucional” que representava a possibilidade de a oposição voltar a lançar-se numa campanha eleitoral como a de 1958, Salazar promove, em Agosto de 1959 uma revisão constitucional na qual se suprime o sufrágio directo sendo substituído por sufrágio indirecto proporcionado por um colégio eleitoral de total confiança do Governo.No rescaldo das eleições o governo demitiu Humberto Delgado das funções de Director-geral da Aeronáutica Civil, a 12 de Junho de 1958, e tudo fez para conseguir afastá-lo para o Canadá. Apesar da desmobilização que se seguiu à campanha e da perseguição a que foi sujeito, Humberto Delgado lançou as bases do que viria a ser o Movimento Nacional Independente, com o objectivo de dar continuidade à actividade política, apoiando-se para tal nas frágeis estruturas que a unificação das candidaturas de oposição permitira obter. Mas num evidente desafio ao poder político continuou a dar entrevistas à imprensa estrangeira e a acusar o Governo de fraudulento.Foi então sujeito a processo disciplinar que o separou do serviço militar e colocou sob a alçada da PIDE. Avisado de que estava preparada uma falsa manifestação de apoio em frente da sua residência, com elementos da PIDE e da Legião, com intuitos de o assassinarem, refugiou-se na Embaixada do Brasil, a 12 de Janeiro de 1959.O Embaixador Álvaro Lins, figura conhecida da intelectualidade portuguesa, espantou o governo português ao acolher o refugiado sob a bandeira brasileira. Após demoradas negociações diplomáticas que duraram cerca de três meses, durante as quais o próprio Salazar escreveu directamente ao Presidente do Brasil Kubitschek de Oliveira pedindo-lhe que não concedesse o asilo, o Embaixador Álvaro Lins manteve uma linha de não cedência às pressões que em Portugal e no Brasil se faziam contra o asilado.Para o governo português interessava esvaziar o conteúdo político do gesto de Humberto Delgado acusando-o de protagonismo internacional e de auto propaganda como líder da oposição. O governo brasileiro, forçado pela opinião pública interna e pelas forças de oposição que despertaram não só para a situação anti-democrática vivida em Portugal, como para o paternalismo da “fraternidade luso-brasileira”, pedra de toque da política internacional portuguesa, permitiu que o asilado seguisse viagem para o Rio de Janeiro a 21 de Abril de 1959, após a intervenção de um jornalista, João Dantas, director do Diário de Notícias do Rio de Janeiro.No exílio, logo em Novembro de 1959 faz uma viagem à Grã-Bretanha onde é recebido por membros do Partido Trabalhista e dos outros partidos. Durante a passagem pela Holanda é-lhe proibida a possibilidade de falar em público sobre a situação em Portugal, mas a pressão da opinião pública e da oposição obriga o Governo de Joseph Luns a retirar a proibição.De regresso ao Brasil entra em contacto com núcleos oposicionistas portugueses na América Latina forçando-se por unificar a acção contra Salazar.Firmou um acordo com o Governo espanhol no exílio, chefiado por Emílio Herrera, e assumiu a responsabilidade política da controversa captura do navio Santa Maria, operação levada a cabo por Henrique Galvão e membros do Directório Revolucionário Ibérico de Libertação (DRIL) em 22 de Janeiro de 1961.Nos finais de 1961, Humberto Delgado entra clandestinamente em Portugal para tomar parte na fracassada revolta de Beja, conseguindo iludir a vigilância da PIDE durante quinze dias. No regresso ao Brasil encontrou dificuldades por parte das autoridades brasileiras que consideraram aquela acção como quebra do estatuto de asilado.Deixa definitivamente o Brasil, em finais de 1963 com destino à Europa, incompatibilizado com grupos rivais e cansado da perseguição que a PIDE lhe movia.Devido ao estado de saúde que entretanto se agrava e por mediação de Álvaro Cunhal permanece três meses na Checoslováquia onde é submetido a delicada intervenção cirúrgica.Após a recuperação, no Verão de 1964 instala-se na Argélia onde o Presidente Ben Bella o recebe com honras de chefe de Estado.Em Argel assume a chefia da Junta Revolucionária Portuguesa, órgão directivo da Frente Patriótica de Libertação Nacional, composta por diversas correntes da oposição. Após uma fase inicial de tentativa de equilíbrio dessas correntes, nas quais dominavam os comunistas, entra em ruptura com os membros da Frente quanto à forma de derrube da ditadura salazarista.A PIDE, que já no Brasil fizera uma tentativa de assassinar Humberto Delgado, infiltrou certos círculos da oposição mantendo uma apertada vigilância sobre todos os movimentos do líder da oposição portuguesa no exílio. Uma intensa campanha de descrédito e de isolamento alimentada pelos serviços secretos, fomentou gradualmente ao longo de um período de cinco anos, a criação de uma rede de informadores que conseguiu obter a confiança do general. Foi assim que ele anuiu ir ao encontro de Badajoz. Convencido que se ia reunir com oficiais portugueses interessados em derrubar o regime, Delgado foi de facto ao encontro da morte. Uma brigada da PIDE chefiada pelo inspector Rosa Casaco atravessou a fronteira utilizando passaportes falsos, a fim de montar a cilada que vitimaria o general e a sua secretária brasileira, Arajaryr Campos Moreira. 13 de Fevereiro de 1965 é a data do encontro fatídico, marcado para os correios de Badajoz, donde aliás enviou quatro postais a quatro amigos em quatro países diferentes e assinados com o nome de sua irmã- Deolinda. O objectivo do envio destes postais correspondia a um código, previamente combinado, que significava: estou vivo e não estou preso. Foi o último sinal de vida e por isso esta data é considerada a data do seu assassinato que se pressupõe ter ocorrido perto de Olivença. O desaparecimento de Humberto Delgado deixa os seus companheiros de exílio mergulhados na inquietação. Passam-se semanas sem qualquer notícia do seu paradeiro. Dois meses e meio, a 26 de Abril, os corpos do general e da secretária são encontrados por duas crianças, em adiantado estado de decomposição. No entanto diversos elementos permitem identificá-los, dando início a um longo e árduo processo judicial, que só terminaria após o 25 de Abril de 1974, com a condenação em tribunal militar dos ex. agentes da PIDE directamente implicados e com a trasladação dos restos mortais do "general sem medo" para o Panteão Nacional. Em 1990 Humberto Delgado foi promovido a título póstumo a marechal da Força Aérea.
Tom Hanks
O actor americano Tom Hanks entrou sexta-feira para o livro Guinness de recordes por ter protagonizado sete filmes consecutivos que obtiveram mais de 100 milhões de dólares de receitas nos Estados Unidos.Segundo o editor do Guinness trata-se de filmes entre os anos de 1998 e 2002. O anúncio acontece menos de uma semana antes da estreia do filme adaptado da livro "O Código da Vinci", no qual Tom Hanks, de 49 anos, desempenha o papel principal.O Guinness contabilizou filmes de animação aos quais o actor deu a voz, como "Toy Story 2".(Lusa).Tom Hanks nasceu a 9 de Julho de 1956, na Califórnia (EUA). Iniciou a sua carreira no teatro, tendo representado sobretudo peças de repertório clássico. Em 1980, começou a ser notado a partir da série cómica de televisão Bosom Budies. Durante os anos 80, fez várias comédias românticas e dramas ligeiros, como Splash (1984), Big (1988), The Money Pit (1986), Dragnet (1987) e Turner & Hooch (1989). A partir dos anos 90, teve a oportunidade de provar o seu talento ao interpretar o papel de um advogado infectado com o vírus do SIDA em Philadelphia (1993), risco recompensado com o Óscar de melhor actor. A partir de então, a sua carreira seguiu um novo rumo.A sua filmografia inclui ainda A League of Their Own (1992), A Sleepless in Seattle (1993), Forrest Gump (1994), com o qual conquistou o seu segundo Óscar de Melhor Actor, Apollo 13 (1995), O Resgate do Soldado Ryan (1998), You’ve Got Mail (1998), À Espera de um Milagre (1999),O Naúfrago (2000), Band of Brothers (2001, mini-série), America: A Tribute to Heroes (2001, televisão), Caminho Para a Perdição (2002), Apanha-me Se Puderes (2002), O Quinteto da Morte (2004) e Terminal de Aeroporto (2004). Em 2001, foi galardoado com o Prémio do American Film Institute, pela sua dedicação à sétima arte.
Salvador Dalí
Salvador Felipe Jacinto Dali i Domenech nasceu em Figueras, na Espanha, a 11 de Maio de 1904.Aos seis anos, queria ser cozinheir(a), o que sempre provocou muita graça à família, ele insistir no termo no feminino. Nesta mesma altura pinta o seu primeiro quadro, uma paisagem da sua terra natal.Aos sete anos, queria ser Napoleão I. O Imperador estava presente no salão do segundo andar da casa paterna, sob a forma de um pequeno barril em madeira contendo chá, que se tomava todos os dias por volta das seis da tarde em família. No ano de 1918 as suas primeiras telas são expostas no Teatro Municipal de Figueras, conseguindo estas atrair a atenção de inúmeros críticos.Em 1920, consegue atingir um dos seus principais objectivos na vida até à altura, entrar na Escola de Belas-Artes de San Fernando (Madrid), vivendo durante a sua estadia na escola na residência universitária, onde cria amizade com Lorca e Bunuel, sendo estes nomes relevantes na literatura e no cinema.Por ter provocado provocações na universidade, ao contestar violentamente a capacidade dos seus professores, Dali é expulso, por um ano, de San Fernando. No mesmo ano é preso durante trinta e cinco dias em Gerona, por motivos políticos.Dali é vítima da sua própria lenda!A actividade pública de Salvador Dali começa de facto a tomar algum contorno.Participa nas exposições colectivas organizadas na Galeria Dalmau em Barcelona, em Fevereiro de 1922, sob auspício da Associação Catalã de Estudantes: os seus oito quadros expostos são fortemente criticados. Em 1923 expõe na Sala de Conferencias da Biblioteca Municipal de Figueras.Mais tarde, em Junho de 1925, apresenta em Madrid o retrato de Bunuel assim como o quadro “Sifão e Garrafas na sociedade dos Artistas Ibéricos”. Finalmente organiza a sua primeira exposição pessoal em Barcelona na Galeria de Dalmau, de 14 a 27 de Novembro de 1925.Em 1926, faz a sua primeira viagem a Paris, onde se encontra com Picasso, visitando mesmo a casa deste.Neste mesmo ano é definitivamente expulso de Escola de Bela – Artes.A sua segunda viagem a Paris aconteceu no ano de 1929, nesta consegue definitivamente conquistar Paris, embora não tenha começado desde logo de um modo triunfal.O ano de 1929, foi o ano em que todos concordaram, em reconhecer Dali como sendo realmente um Surrealista.É no Verão de 1929 em Cadaqués que Dali conhece e seduz Gala, o grande amor da sua vida, com quem vai partilhar todas as suas vitórias e derrotas até à morte desta em 1982.Gala era a mulher dos seus sonhos desde criança, aquela que ele baptizou misticamente de Galutchka, e que personificava diversas jovens e adolescentes.Em 1932 participa na primeira exposição Surrealista nos Estados Unidos, sendo lá que conhece o negociante de arte norte-americano Julien Livy, que lhe compra a sua obra: “Relógios Moles”. Foi este o quadro que o tornou conhecido nos Estados Unidos, originando assim a sua fortuna.Outras exposições em que participa são também notáveis, como a de 1938, a exposição Internacional de Surrealismo.No ano de 1939 rompe definitivamente com o grupo Surrealista e com André Breton, chegando mesmo a o apelidar de Ávida Dollars.Após uma breve passagem por Paris, Dali faz inúmeras exposições, tais como: a exposição de Roma e Veneza em 1952 e a Exposição na National Gallery em 1953.NO ano de 1982, ano da morte de Gala, Dali é nomeado Marquês de Púbol, onde vive a partir de então, no Castelo que oferecera a Gala.Dali morre a 23 de Janeiro de 1989 na Torre de Galateia.Apesar de Dali ter ganho somas consideráveis de dinheiro, este morre pobre, com uma conta bancária vazia, tal como o seu pai previra.No entanto deixou ao Estado Espanhol uma herança colossal: sumptuosas mansões e colecções de quadros valiosíssimas.
Sigmund Freud
Passam amanhã 150 anos do nascimento de Sigmund Freud, e como não podia deixar de ser a Fábrica terá que escrever sobre o assunto, apesar de a imprensa nacional ter já editado uma verdadeira história de todo o seu saber. Do mal-estar que continua sendo detectado na civilização às infindáveis interpretações posteriores do sonho, o seu nome continua, apesar de severas críticas, sendo a mais polémica de todas a recente edição do Livro Negro da Psicanálise, e revisões, presente no nosso imaginário. Apesar de todas as polémicas, parece ser incontestável que Sigmund Freud, foi um dos maiores pensadores do século XX. A essência do legado de Freud fica longe de ser reduzido, apenas, à sua psicanálise. É possível que o próprio, se estivesse vivo, apontasse falhas nas teorias que desenvolveu. “Ele não via na terapia a sua grande obra, mas na importância cultural da psicanálise”, observou o psicólogo Wolfgang Mertens. O legado de Freud deverá ser ligado aos pontos de intersecção da psicanálise com a literatura, a filosofia, o cinema, a sociologia, a antropologia e outros saberes que tornam nítida a necessidade de lembrar Freud. Não deixa de ser curioso, o contraste entre as suas palavras e o seu legado à Humanidade, " Nunca fui realmente ambicioso. Procurei na ciência a satisfação que se oferece durante a pesquisa e no momento da descoberta, mas nunca fui daqueles que não podem suportar o pensamento de serem levados pela morte sem terem deixado o nome gravado numa rocha."Sigismund (mais tarde Sigmund) Schlomo Freud nasceu a 6 de Maio de 1856, em Freiberg, Morávia - actual Pribor, na Republica Checa – que então, fazia parte do Império Austro-Húngaro. Na época em que nasceu o seu pai, Jakob Freud, tinha 41 anos e a sua mãe, Amália, 21, ambos professavam a religião judaica. Sobre a sua relação com a religião, Freud diria uns mais tarde, "Sempre me mantive distanciado da religião judaica, assim como de qualquer outra religião. Elas interresam-me apenas enquanto objecto de análise científica. No entanto, sempre me senti solidário para com o meu povo, procurando transmitir esse sentimento aos meus filhos. De uma certa forma, todos nós mantivemos a qualidade de judeus."Seu pai já tinha dois outros filhos de um primeiro casamento: Emanuel e Philipp. Juntamente com eles, viviam também duas crianças, filhos de Emanuel e que eram apenas um ano mais velho do que Sigmund. Essa situação pode ter predisposto Freud, mais tarde a estudar o problema da circulação do desejo dentro das estruturas familiares. Em 1860, devido à guerra Austro-Italiana, os negócios de lã do seu pai, foram à ruína e a família foi obrigada a transferir-se para Viena. "Qualquer pessoa que tenha vivido o sofrimento da miséria na juventude e suportado a indiferença e a arogância dos ricos deveria estar isenta da suspeita de não ter compreensão e boa vontade para as tentativas de eliminação das diferenças económicas entre os homens e de tudo o que elas provocam", diria Freud falando da sua juventude.É nesta cidade, que Freud iniciou os seus estudos e onde viveu até 1938. “No Gymnasium fui o primeiro da minha turma durante sete anos e desfrutei de privilégios especiais, quase nunca tendo de ser examinado na aula(...) O meu profundo interesse pela história da Bíblia teve, conforme reconheci muito mais tarde, efeito duradouro sobre a orientação do meu interesse. Sob a influência de uma amizade formada na escola com um menino mais velho, e que veio a ser um político conhecido, desenvolvi, como ele, o desejo de estudar Direito e dedicar-me a actividades sociais. Ao mesmo tempo, as teorias de Darwin, que eram então actuais, atraíram-me fortemente, pois ofereciam esperanças de um extraordinário progresso na nossa compreensão do mundo, e foi ouvindo o belo ensaio de Goethe sobre a Natureza, lido em voz alta numa conferência pelo professor Carl Bruhl, pouco antes de ter deixado a escola, que resolvi tornar-me estudante de Medicina.” Aos 17 anos, terminados os estudos secundários, Freud dominava perfeitamente o Inglês, o francês, o latim, o grego e o hebreu; possuía conhecimentos de espanhol e de italiano.Ingressou na Universidade de Viena em 1873. Durante o curso, desenvolveu algumas pesquisas com alguns dos seus professores; com Ernest Bruucke, trabalhou durante seis anos numa pesquisa sobre o sistema nervoso central; em psiquiatria, trabalhou com Theodor Meynert, considerado o mais brilhante na sua especialidade, neuropatologia. Findo o curso, vê-se obrigado a trabalhar como médico de clínica geral, pois não consegue arranjar trabalho como pesquisador na Universidade. Entretanto, conheceu Martha Bernays, filha de um dos rabinos mais importantes do mundo judaico da época. Casou-se em 1886 e nesse mesmo ano abriu o seu consultório de neuropatologia. O casal teve seis filhos (Mathilde, 1887; Jean-Martin, 1889; Olivier, 1891; Ernst, 1892; Sophie, 1893; Anna, 1895). O início da obra freudiana está ligado à descrição clínica do caso Anna O., que Freud desenvolveu juntamente com Josef Breuer e que seria publicado sob o título de Estudos Sobre a Histeria, em 1895. Nesse livro, Freud afirma que os sintomas dos doentes histéricos são resíduos e símbolos de ocorrências traumáticas, nas quais um processo afectivo qualquer foi desviado da sua elaboração consciente normal. A hipnose revivesceria esse facto passado. A este processo foi dado o nome de catarse. Após este estudo, Freud convenceu-se de que todo o conteúdo das neuroses possuía uma origem sexual, e que a hipnose e o método catártico não apresentava bons resultados em todos os pacientes. Passou então a utilizar o método da associação livre e foi aí que, segundo as suas próprias palavras, nasceu a psicanálise. Esse método consistia em deixar o paciente livre para falar o que lhe viesse à mente, e competia ao analista interpretar as ideias a fim de clarificar o trauma responsável pela origem da perturbação nervosa. Num estudo publicado anos mais tarde, seria desenvolvida a tese de que a natureza da neurose era de origem sexual, tratando-se de impulsos reprimidos na infância do paciente, daí as considerações que fez sobre o complexo de Édipo e sobre a sexualidade infantil, como determinantes básicas do comportamento humano. O termo “psicanálise” foi concebido por Freud em 1896.”Demos o nome de psicanálise ao trabalho pelo qual trazemos à consciência do doente o psíquico que há recalcado nele”, definiria Freud.Após romper com Breuer, e passando por uma crise, devida à morte de seu pai, Freud iniciou sua auto-análise em 1897, ao examinar seus sonhos e fantasias, contando com o apoio emocional de seu amigo íntimo, Wilhelm Fliess.A Interpretação dos Sonhos, obra que Freud considerou como sendo o mais importante de todos os seus livros, foi publicado em 1899. Entretanto, foi nomeado Professor na Universidade de Viena e fundou a “Sociedade Psicológica das Quartas-feiras” em 1902 (reunião semanal de amigos, em sua casa, com o propósito de discutir os trabalhos que vinha desenvolvendo), a qual se veio a tornar a Associação de Psicanálise de Viena, em 1908. Por volta de 1906, um pequeno grupo de seguidores juntaram-se em torno de Freud, incluindo William Stekel, Alfred Adler, Otto Rank, Abraham Brill, Eugen Bleuler e Carl Jung.Sándor Ferenczi e Ernest Jones juntaram-se ao círculo psicanalítico e o “Primeiro Congresso de Psicologia Freudiana” teve lugar em Salzburg, em 1908, contando com a presença de quarenta participantes de cinco países. Em 1909, Freud foi convidado por Stanley Hall para proferir cinco conferências, na Clark University (Worcester, Massachussets), que mais tarde seriam editadas com o título de Cinco Lições de Psicanálise. Seria esta a sua única visita aos Estados Unidos da América, mas esta oportunidade marcou definitivamente a sua carreira, ao atrair a atenção mundial para os seus trabalhos. O movimento psicanalítico foi sendo gradualmente reconhecido e uma organização internacional, chamada “International Psychoanalytical Association” foi fundada em 1910. A revista de psicanálise “Imago” foi criada em 1912. Conforme o movimento se ia difundindo, Freud teve que enfrentar a dissidência entre os membros de seu círculo. Adler (1911) e Jung (1913) deixaram a “Associação Psicanalítica de Viena” e formaram as suas próprias escolas de pensamento, discordando da ênfase dada por Freud à origem sexual da neurose.Os anos da Primeira Guerra Mundial, foram improdutivos para Freud, que referindo-se à Grande Guerra, diria" Não duvido de que a humanidade se recuperará desta guerra, mas sei com segurança que eu e os meus compatriotas nunca mais haveremos de viver num mundo tão alegre quanto aquele em que vivemos. Tudo isso é muito repelente. E a coisa mais triste de todas está em que tudo isso é exactamente aquilo que a psicanálise esperava do homem e do seu comportamento." Só em 1919 é que escreveu uma das suas mais importantes obras: Além do Princípio do Prazer, onde demonstrou a existência de dois instintos opostos no homem. Um, de preservação, ligado ao Prazer (Eros) e outro de destruição(Tanatos). Alguns factos ocorridos no início dos anos 20 vieram a alterar profundamente a vida de Freud: Primeiro a morte da sua filha Sofia, em 1920 e depois a morte do seu neto, filho de Sofia. Entretanto, em 1923 é-lhe diagnosticado um cancro no maxilar superior e Freud é submetido à primeira de uma série de 33 operações na boca, que o levou a perder todo o maxilar superior. Mas a sua produção intelectual permaneceu bastante intensa. Em 1923, publicou o Ego e o Id, onde apresentou um modelo dinâmico da mente, constituído pelo Ego, Superego e Id. O Id constitui a fonte dos impulsos ou tendências de uma pessoa; o Superego representa os educadores introjectados no indivíduo; e o Ego é uma espécie de relações públicas entre o ser, os seus impulsos e a sociedade. Freud usou a seguinte metáfora para mostrar como essas três instâncias se relacionam: “o Ego é um cavaleiro tentando meter freio a um cavalo selvagem (o Id), seguindo as ordens do professor de equitação (Superego).”No ano seguinte, ocorreu a ruptura com dois dos seus discípulos, Otto Rank e Sándor Ferenczi, devido à teoria do trauma do nascimento. Em 1930 Freud foi laureado com o “Prémio Goethe”. A década de 30 marcou a ascensão do nazismo na Alemanha. Os livros de Freud e de muitos pensadores modernos foram queimados na praça pública. Em 1934, Freud começou a escrever Moisés e o Monoteísmo, onde procurou esclarecer a origem da religião judaica. Nos anos seguintes, Hitler e os nazistas, continuam a invadir os países vizinhos e a endurecer as leis contra os judeus. Em 1938 anexa a Áustria e Freud é imediatamente incomodado. Freud que sempre se manteve afastado da prática religiosa, não evitou que a Gestapo investigasse a sua casa, de onde roubaram preciosos objectos da sua colecção de antiguidades e prenderam e interrogaram a sua filha Anna durante um dia. Várias pessoas intervieram a favor dele, conseguindo que Freud escapasse da Áustria, juntamente com a sua mulher e com a sua filha Anna. Já bastante debilitado pela doença, Freud passou o último ano da sua existência em Londres. Sigmund Freud faleceu, aos 83 anos de idade, no dia 23 de Setembro de 1939, em Londres.
Joan Miró
Joan Miró Ferrá nasceu em Barcelona, a 20 de Abril de 1893, filho de um relojoeiro. Inscreveu-se na escola de Belas-Artes em 1907 e trabalhou como ajudante de contabilidade numa empresa de construção entre 1910-1911. Foi para Paris em Março de 1920: conheceu Picasso e juntou-se ao movimento surrealista de Paul Élouard, André Breton e Louis Aragon. A pintura o Carnaval de Arlequim, de 1925, inaugurou uma linguagem simbólica , cujo os símbolos remetem para uma fantasia inocente, fora de todo o contexto surrealista da época. Em 1925 algumas das suas obras são expostas na primeira exposição surrealista, realizada em Paris. Em 1928 viaja pela Holanda, dedicando-se ao mesmo tempo há criação de cenários para ballets. Os anos da Guerra Civil de Espanha e da II Guerra Mundial marcaram a sua pintura. Em 1941 o MoMA dedica-lhe uma retrospectiva. Foi ceramista e fez pinturas murais, entre outras, para a UNESCO (1958). No final da sua vida reduziu os elementos da sua linguagem artística a pontos, linhas , alguns símbolos e reduziu a cor, passando a usar basicamente o preto e o branco. Morreu a 25 de Dezembro de 1983, em Palma de Maiorca, ano da inauguração de uma escultura monumental no átrio da sede do governo em Barcelona. “Como é que encontrava todas as minhas ideias para quadros? Pois bem, à noite, já tarde, voltava ao meu atelier na Rue Blomet e deitava-me; às vezes, sem sequer ter jantado. Tinha sensações que anotava no meu caderno. Via aparecer formas no tecto...” Miró
Joseph Ratzinger
Joseph Ratzinger nasceu em Marktl am Inn, na Baviera, em 16 de Abril de 1927, e foi baptizado no mesmo dia. Filho de uma doméstica e de um comissário da polícia, viveu em várias cidades alemãs ao ritmo dos destacamentos frequentes do seu pai.Ratzinger começou a estudar latim e grego ainda criança e em 1939, aos 12 anos, entra para o seminário de Traunstein - tendo pertencido à Juventude Hitleriana, o que era obrigatório no sistema de ensino. Quatro anos mais tarde, em plena II Guerra Mundial, é convocado com outros colegas de seminário para o destacamento antiaéreo Flak, responsável pela protecção de uma fábrica da BMW em Munique. No meio dessas tarefas, e do caos em que a Alemanha de Hitler se ia transformando, continua a frequentar as aulas em Munique, no Maximilians-Gymnasium, três vezes por semana.Em 1944, quando atingiu a idade militar, é dispensado da Flak e alista-se na infantaria alemã. Na Primavera de 1945, porém, com a aproximação dos exércitos aliados, deserta do exército e foge para a casa de família em Traunstein. É vítima das ironias da guerra, um destacamento americano ocupa a vila e resolve instalar o quartel-general na casa dos Ratzinger. Joseph é identificado como soldado alemão e, em seguida, enviado para um campo de prisioneiros de guerra. Libertado meses depois, regressa ao seminário acompanhado pelo irmão.Em 1947 Ratzinger entra no Herzogliches Georgianum, um instituto teológico associado à Universidade de Munique, e, paralelamente, estuda Filosofia na Escola Superior de Freising. No dia 29 de Junho de 1951, aos 24 anos, é ordenado padre.As qualidades intelectuais do jovem padre são rapidamente visíveis e, dois anos depois, a sua tese de doutoramento em Teologia é largamente aplaudida. Pouco depois publica o seu primeiro trabalho importante, “O povo e a Casa de Deus na doutrina de Santo Agostinho para a Igreja”, e dedica a tese de pós -doutoramento à história da teologia. Em 1959 começa a leccionar como professor titular de Teologia na Universidade de Bona, onde permaneceu até 1969, e na Universidade de Münster (de 1963 a 1966).Tornou-se bastante conhecido e, em 1966, consegue uma cadeira em Teologia Dogmática na Universidade de Tübingen, tendo a sua indicação sido fortemente apoiada pelo teólogo progressista suíço Hans Küng.Naquela altura, porém, o jovem Joseph era uma espécie de “estrela” da teologia, lutando pela “abertura da Igreja” e, ao mesmo tempo, combatendo o ateísmo e o marxismo que se popularizavam entre os jovens.Essa imagem rebelde, todavia, passa depressa. Em 1969, Joseph regressa à Baviera e vai leccionar Teologia Dogmática e História do Dogma na Universidade de Regensburg, onde chega a reitor.No início dos anos 70 Joseph Ratzinger é já o principal conselheiro teológico dos bispos alemães. O seu prestígio, aliás, é reforçado pela direcção que imprime ao jornal trimestral teológico Communio, que se transforma num dos mais influentes jornais católicos do mundo. Em 1977, pela primeira vez, a influência ideológica de Ratzinger concretiza-se na hierarquia Paulo VI investe-o arcebispo de Munique e Freising e, meses depois, é-lhe atribuído o Ministério Pastoral da Grande Diocese da Baviera.Em 1977 Joseph Ratzinguer ascende, pela mão do Papa Paulo VI, à púrpura cardinalícia - tem 50 anos. E as mudanças de pontífice que se seguem favorecem a sua carreira em 1981, um ano depois de ter sido eleito Papa, João Paulo II nomeia-o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.Três dias depois de completar 78 anos, em 19 de Abril de 2005, Joseph Ratzinger foi eleito para a cadeira de São Pedro, de que é o 265º ocupante.
Samuel Beckett
Considerado um dos maiores escritores e dramaturgos do século XX, o irlandês Samuel Beckett , faria hoje 100 anos se fosse vivo. Samuel Beckett nasceu a 13 de Abril de 1906, na localidade de Foxrock, perto de Dublin, na Irlanda. Nascido no seio de uma abastada família protestante, não teve uma infância muito feliz e depressa se tornou num jovem infeliz. Inadaptado às regras de uma sociedade que considerava repulsiva, refugia-se na solidão, que faz transparecer em toda a sua obra. Em 1923 ingressa no Trinity College, de Dublin para fazer a sua formação académica, onde em 1927, se licenciou em línguas modernas, francês e italiano, com uma excelente classificação. Em 1928, Beckett mudou-se para Paris, onde conheceu James Joyce, e depressa se tornou um seguidor do escritor. Esta amizade será decisiva para a sua carreira literária. Aos 23 anos, escreveu um ensaio em defesa de "Ulisses", a obra-prima de James Joyce, que tinha sido proibida na sua Irlanda natal. Depois de um estudo sobre Proust, Samuel Beckett, chegou à conclusão que o hábito e a rotina eram o “cancro do tempo”: o tempo, inexorável, ao qual estamos presos. Samuel Beckett, faz questão de nos lembrar, que a cada momento, o fim se aproxima, que a morte espreita, que o jogo irá acabar e nós irremediavelmente, perderemos. Se temos conhecimento disso, então por que continua-mos à espera? Porquê? Porque devemos saber que enquanto se espera a vida continua e devemos vive-la da melhor forma possível, a cada segundo, compreendendo-a pequena e grandiosa ao mesmo tempo. Por causa destas conclusões, abandonou o seu cargo no Trinity College e iniciou uma viagem pela Europa, visitando a França, Inglaterra e a Alemanha, onde viveu as mais diversas experiências que depois se traduziram em personagens. Em 1938 fixou residência em Paris, onde dois acontecimentos o vão marcar para o resto da vida: é gravemente ferido ao ser agredido por um estranho, que lhe desferiu uma facada no peito, e conhece Suzanne Deschevaux-Dusmenoil, o amor da sua vida e com quem se casaria em 1961.Durante a Segunda Guerra Mundial, Beckett permaneceu em Paris, onde lutou pela Resistência, até que alguns membros o seu grupo foram presos e Beckett foi forçado a refugiar-se, com a sua mulher na zona conhecida como "França Livre", a parte da França que não tinha sido ocupada, pelas tropas nazistas.Em 1945, regressou a Paris e iniciou o seu período mais prolífico enquanto escritor. No período cinco anos, entre 1948 e 1953, produziu a sua obra mais significativa. Escreveu "Eleutheria" (1948), "À espera de Godot" (1952), e a trilogia, universalmente aclamada como essencial à compreensão da experiência humana, “Molloy” (1951), “Malone está a Morrer” (1951) e “O Inominável” (1953).O seu primeiro sucesso, chegou, em 1952 com "À Espera de Godot". Apesar das especulações, a pequena peça onde nada acontece, tornou-se num sucesso repentino e um marco no teatro do absurdo. As personagens desta peça, exemplificam a situação do homem encurralado num mundo de rotina: dois vagabundos, Vladimir e Estrabon, indecisos e inertes, esperam em vão a chegada de um personagem enigmático e misterioso, Godot, símbolo do inalcançável, que de um modo inexplicável, melhorará as suas vidas.Depois do sucesso de "À Espera de Godot", Samuel Beckett dedica-se a traduzir os seus textos para inglês e volta a escrever nesta língua, construindo, um caso raro na Literatura moderna, uma obra bilingue.As obras de Beckett traduzem com um grande poder de síntese, toda a condição humana. As questões que são necessárias esclarecer dessa condição são amplamente trabalhadas e poeticamente materializadas. Os personagens das suas obras, reflectem a posição do autor em relação à vida, à morte, aos desejos, aos fracassos e à impossibilidade da felicidade. O reconhecimento crescente do seu trabalho culminaria com o Prémio Nobel da Literatura, em 1969. Depois disso e apesar de ser aclamado a nível mundial, continuou a escrever até à sua morte, que ocorreu em Paris, a 22 de Dezembro de 1989, vitima de enfisema, contra o qual lutou nos últimos três anos, da sua vida .
Yuri Gagarine
A Terra é azul!Uma expressão banalíssima, no entanto, há precisamente 45 anos, era uma novidade planetária!No dia 12 de Abril de 1961, Yuri Gagarine ficaria conhecido na História como o primeiro ser humano a viajar no espaço, a bordo do Vostok 1. Iria viver um sonho inspirado sessenta anos antes pelo cientista russo Constantin Tsiolkovsky, que no início do século XX já tinha arquitectado a base da astronáutica moderna.Eram 7h07, no Cosmódromo de Baikonur no Casaquistão, quando a nave Vostok 1, descolou para o seu primeiro e único voo espacial. Pouco depois da descolagem, a 327 quilómetros de altura, Yuri Gagarine, por rádio, anunciava a todos os humanos a cor do nosso Planeta:A Terra é azul!Foi a exclamação do primeiro homem a ver o nosso planeta do espaço.Foi um pequeno voo de 108 minutos, o suficiente para que Gagarine se tornasse, aos 27 anos num herói mundial. Às 9.20 daquele 12 de Abril de 1961, Gagarine aterrou de pára-quedas, junto ao Volga, 700 kms a Sudeste de Moscovo, na aldeia de Saratov, uma camponesa e a sua filha não ganharam para o susto quando apareceu um ser vestido de cor-de-laranja e de escafandro.-Vens do espaço?Perguntou a anciã.-Certamente sim, disse Gagarine, que se apressou a acrescentar, não se alarme, sou soviético.Tratava-se do primeiro cosmonauta, acabadinho de chegar do espaço, onde esteve durante meia hora, tendo sido forçado a ejectar-se do Vostok 1, a uma altitude de sete mil metros.Até ao desmoronar da União Soviética esta pequena história dentro da História foi ocultada. Seja pelo caricato da situação seja pelo facto de ter temido a desclassificação do feito por parte da Federação Internacional de Aeronáutica - um recorde só é validado quando tripulante e nave aterram juntos - o certo é que Moscovo ocultou os pormenores do regresso atribulado de Gagarine.Quando o Vostok 1 estava a sobrevoar o continente africano tudo começou a correr mal. Na altura em que a aproximação ao planeta deveria começar, a cápsula não se soltou do módulo. Gagarine passou uns minutos agitados, para não dizer mais, até que a separação teve lugar, dez minutos depois do planeado. O jovem cosmonauta não teve tempo para retemperar forças: a sete mil metros de altitude a escotilha cede e vê-se obrigado a fazer o restante percurso de pára-quedas. Quando chegou ao solo foi à procura de um telefone:“-Está?-É do Cosmódromo de Baikonur?-Daqui fala Yuri Gagarine, na região de Saratov. É só para comunicar que já estou na Terra».Podia ser o final de uma anedota, mas não é, foi através de um simples telefonema como este , hoje parece absolutamente incrível, que as autoridades soviéticas tomaram conhecimento do fim do primeiro voo espacial.Durante a sua curta viagem, Yuri Alekseyevich Gagarine subiu dois postos na hierarquia militar, sendo promovido de tenente a major.Yuri Alekseyevich Gagarine, nasceu no dia 9 de Março de 1934, em Klushino, mais tarde rebaptizada com o seu apelido, filho de um carpinteiro.Quando tinha 7 anos, os alemães invadiram a União Soviética, o pai alistou-se no Exército Vermelho enquanto a sua mãe, ele, o irmão mais velho e a irmã se refugiavam num local mais seguro.Já em plena Guerra Fria, ingressa numa escola, onde se forma em metalurgia, até ser chamado pela Força Aérea, em 1955.Se é certo que o baptismo de fogo esteve longe de correr da melhor maneira, a partir daí Gagarine começou a evidenciar-se como um dos alunos mais valorosos. Graduou-se em 1957, pouco depois de Moscovo ter surpreendido o mundo com o lançamento do «Sputnik»,no dia 4 de Outubro de 1957, o primeiro satélite que o Homem colocou em órbita, tendo desencadeado a corrida espacial.Em 3 Novembro, ainda longe de se imaginar no espaço, Gagarine casa-se com Valya, no dia em que a famosa cadela Laika foi colocada em órbita, a bordo do «Sputnik 2». Após a sua formação, foi colocado na Base Aérea de Murmansk, junto da fronteira com a Noruega, onde devido ao clima, voar era um risco sempre presente.Dois anos depois, a Força Aérea pede voluntários, numa altura em que a União Soviética explora a Lua, com o envio das sondas «Lunik». Dos 3500 inscritos, foram escolhidos seis. Além de Gagarine, faziam parte dos eleitos Gherman Titov (que foi o primeiro cosmonauta a perfazer mais do que uma órbita, a bordo do Vostok 2), Valeri Bykovsky, Grigory Nelyubov, Adrian Nikolaev e Pavel Popovich.O chefe do projecto espacial, Sergei Korolev, numa desconcertante atitude democrática, pediu certa vez aos seis futuros cosmonautas para elegerem quem devia fazer as honras do voo inaugural. «Tovarich» Gagarine recolheu três votos.Dois dias depois, da mítica viagem, a 14 de Abril de 1961, a Praça Vermelha foi palco de uma recepção apoteótica ao “Magalhães do Espaço”, à qual não faltou sequer o líder da União Soviética, Nikita Krushtchev.As aventuras espaciais do rapaz que ia ser metalúrgico não voltaram a repetir-se. Com a sua figura imortalizada em estátuas e selos, o nome na toponímia e o feito nas páginas de História, Gagarine regressou à sua condição de piloto da Força Aérea. Contudo, não aguentou o peso da fama tornando-se alcoólico. Em 1962 foi eleito/nomeado deputado ao Soviete Supremo, tendo depois voltado para a “Cidade das Estrelas”, a base soviética de pesquisas e ensaios dos voos espaciais. Em 1967 foi escolhido para o lançamento do Soyuz, contudo este projecto foi abortado, após o acidente com o Soyuz que vitimou Vladimir Komarov.E foi no «cockpit» de um caça MIG-15, em 27 Março de 1968, que o primeiro homem a orbitar a Terra morreu, durante um voo de rotina junto a Kirzhach. Há várias teorias sobre a causa da trágica morte de Gagarine, que vão desde o assassinato por parte do KGB, passando pela teoria que estava embriagado aos comandos do Mig 15, e finalmente, a teoria mais provável, da despressurização da cabine, que levou a tripulação, devido à falta de oxigénio, a perder o controle do avião e a despenhar-se.Tinha 34 anos.
Joaquim Agostinho
Joaquim Francisco Agostinho nasceu em 7 de Abril de 1943, em Brejenjas, freguesia de Silveira concelho de Torres Vedras. Era o quarto filho de uma família modesta de camponeses. Aos 18 anos foi chamado a combater na Guerra Colonial, em Moçambique, onde participou numa corrida de bicicletas em Vila Cabral que ganhou, no entanto, ele gostava era de jogar futebol. Uma vinda a Portugal para matar saudades da mulher, Ana Maria alteraria definitivamente a sua vida. Com a recordação da vitória em Vila Cabral viva na sua mente, Joaquim Agostinho pediu emprestado ao seu vizinho, João Roque, um equipamento para se treinar. João Roque, que tinha ganho a Volta a Portugal em 1963, acompanhou-o e ficou espantado com as qualidades de Joaquim Agostinho, sem perder tempo, levou-o a treinar ao Sporting. Estávamos em Fevereiro de 1968 e Joaquim Agostinho tinha 25 anos. Em Abril do mesmo ano entrou no Campeonato Regional de Fundo para Amadores. Venceu a primeira prova, classificou-se em 3º lugar na segunda e venceu a 3ª prova, conquistando o título de Campeão Regional.Em Agosto de 1968, participou pela primeira vez na Volta a Portugal. Embora não tenha vencido nenhuma etapa, os tempos realizados por este ciclista valeram-lhe o segundo lugar e a vitória por equipas. Após esta prova foi seleccionado para o Campeonato Mundial de Estrada, em Imola. Conseguiu a melhor classificação portuguesa de sempre, ao ficar em 16º lugar, e foi o único português a concluir a prova.Joaquim Agostinho venceu por cinco anos consecutivos (de 1969 a 1974) o Campeonato Nacional de Fundo Individual. Venceu a Volta a Portugal em três anos consecutivos (entre 1970 e 1972). Participou por 13 vezes na Volta à França e nos anos de 1978 e 1979 conseguiu a melhor posição de sempre, classificando-se em terceiro lugar. Em 1972, participou na Volta à Suíça e obteve o quinto lugar.Em 1971, Joaquim Agostinho correu pelo Sporting e pela “Hoover” de Gribaldy.O ciclista deixou o Sporting em 1972 e foi para França, para correr com a camisola da “Frimatic”. No ano de 1973 correu pela “Bic”, para regressar ao Sporting em 1975. Em 1978 ingressou na “Velda-Lano-Flandria”.Em 1979, 10 anos após a sua estreia no Tour, Joaquim Agostinho, alcançaria o maior feito da sua carreira, ao vencer a mítica etapa de L’Alpe-Duez, foi no dia 15 de Julho. Joaquim Agostinho tornou-se um dos nomes históricos da Volta a França. Em homenagem à grande vitória de Joaquim Agostinho na mítica etapa a organização deu o nome de Agostinho à 17ª curva da subida do L’Alpe-Duez.Correu ainda mais dois anos em França. Em 1980, dado como acabado para o ciclismo, alcança o quinto lugar, ao serviço da “Puch-Campagnolo”, posição que o deixou frustado. No ano seguinte correndo pelas cores da “Sem-France Loire”, desiste pela primeira e única vez, no Tour. A passar por dificuldades financeiras volta ao Tour pela última vez em 1983. Com 40 anos fez o feito, de terminar na 11ª posição.Em 1984 decidiu regressar de vez a Portugal e acabar a carreira no seu Sporting. No dia 30 de Abril disputava-se a 5ª etapa da X Volta ao Algarve, quando Joaquim Agostinho sofreu uma fractura craniana, num acidente provocado por um cão que se atravessou no seu caminho. Com a camisola amarela vestida, voltou a montar a bicicleta e cortou a meta com a ajuda de dois colegas do Sporting. Pediu que o levassem à pensão para descansar. As dores de cabeça aumentaram e foi levado para o hospital de Loulé. A situação agrava-se drasticamente e é evacuado para o hospital da CUF, em Lisboa. Não é transportado por via aérea e acaba por fazer uma longa viagem de ambulância, chegando à capital em coma. Foi operado 10 horas depois do acidente e nos 10 dias seguintes, sempre em coma, luta contra a morte, que acaba por derrotá-lo a 10 de Maio de 1984.Palmarés:
1968- 1º Na Volta ao Estado de São Paulo, 1 etapa, Campeão Nacional, 1º no contra-relógio do Campeonato Nacional, 2º no GP do Porto, 1 etapa, 1º no Circuito de Loures, 2º no Campeonato Nacional de Montanha, 2º na Volta a Portugal, 2º no GP do Sul, 16º no Mundial de Estrada.
1969- Campeão Nacional, 1º no contra-relógio do Campeonato Nacional, 1º no Campeonato Nacional de c/relógio por equipas, 1º do Trophée Baracchi (com H. Van Springel), 1º no GP Riopelle, 1 etapa, 1º no GP Robbialac, 2 etapas, 8º no Tour de France, 2 etapas, 7º na Volta a Portugal, 1 etapa, 1 etapa na Volta ao Luxemburgo, 5º no GP des Nations, 6º no GP Famel, 15º no Mundial de Estrada, 18º do Super Prestige Pernod.
1970- Campeão Nacional, 1º no contra-relógio do Campeonato Nacional, 1º Na Volta a Portugal, 4 etapas, 1 etapa na Semana Catalã, 3º Na Escalada de Montjuich, 14º no Tour de France.
1971- Campeão Nacional, 1º No contra-relógio do Campeonato Nacional, Campeão Nacional de Perseguição Individual, 1º na Volta a Portugal, 8 etapas, 1º no GP de Sintra, 2 etapas, 3º na Clássica Porto-Lisboa, 3º na corrida A Travers la Lausanne, 5º no Tour de France, 17º no Dauphiné Libere.
1972- Campeão Nacional, 1º No contra-relógio do Campeonato Nacional, 1º na Volta a Portugal, 6 etapas, 1º no GP de Sintra, 1 etapa, 2 etapas no GP de Torres Vedras, 1º no Prémio de Lisboa, 5º na Volta à Suíça, 2 etapas, 8º no Tour de France, 17º no Liège-Bastogne-Liège.
1973- Campeão Nacional, 1º No contra-relógio do Campeonato Nacional, 7 etapas na Volta a Portugal, 8º no Tour de France, 1 etapa, 1º no Prémio do Estoril, 1 etapa, 5º no Midi Libre, 6º na Vuelta a España, 13º no Dauphiné Liberé, 15º no Paris-Nice, 20º no Mundial de Estrada.
1974- 2º da Vuelta a España, 2 etapas, 1º no Prix de Serenac, 1º no Prix de Montastruc, 1º na Côte d’Allevard, 3º na Semana Catalã, 6º no Tour de France ,8º no Midi Libre, 10º do Super Prestige Pernod.
1975- 1º No GP Clock, 3 etapas, 1º no Circuito de Tavira, 1º no Prémio de São João das Lampas, 3º no Tour de l’Aude, 12º Na Vuelta ao País Basco, 15º no Tour de France, 15º No Paris-Nice, 19º no Dauphiné Libere.
1976- 7º na Vuelta a España, 1 etapa, 3º na Vuelta ao País Basco, 3º Na Vuelta a Levante, 6º na Semana Catalã.
1977- 2 Etapas Na Vuelta a Los Vales Mineros, 13º no Tour de France, 1 etapa, 4º no Dauphiné Liberé, 4º na Semana Catalã, 5º na Ronde de Seignelay, 5º no Prix de Carhaix, 6º na Vuelta a Levante, 15º na Vuelta a España.
1978- 1º no Prix de Monteron, 1º no Prix de Vailly, 3º no Tour de France, 2º no Prix d’Auzances, 3º na Volta à Córsega, 3º no Prix d’Oradour-sur-Glane, 4º no Prix de Roanne, 21º na Volta à Suíça, 23º no Dauphiné-Liberé.
1979- 3º no Tour de France, 1 etapa (Alpe d’Huez),1 etapa no Midi Libre , 1º no Prix de Jugon ,1º no Prix de Prayssac , 6º no Dauphiné Liberé.
1980- 1º no Prix de Lamballe, 1º no Prix d’Obernai, 1º na Ronde de Garancières-en-Beauce, 5º no Tour de France, 3º no Midi Libre, 3º no Bordeaux-Paris, 3º no Dauphiné Libere, 3º nos Quatro dias de Dunquerque, 3º na Volta à Córsega, 3º no Prix Bain-de-Bretagne, 5º no Tour de France, 19º no Critérium International, 7º do Super Prestige Pernod.
1981- 3º No Dauphiné Libere, 5º no Tour da Romandia.19831º no Prix du Castillon-la-Bataille, 2º no Bol d’Or des Monédières, 4º na Escalada Grabs-Voralp, 11º no Tour de France, 14º no Tour da Romandia, 24º na Volta à Suíça.
1984- 1 Etapa na Volta ao Algarve.
Total de Vitórias: 96
Maiores destaques:Volta a Portugal:1968 - 2º, 1969 – 7º, 1970 – 1º, 1971 – 1º, 1972 – 1º.Tour de France:1969 - 8º, 1970 – 14º, 1971 – 5º, 1972 – 8º, 1973 – 8º, 1974 – 6º, 1975 – 15º, 1977 – 3º, 1978 – 3º, 1979 – 3º, 1980 – 5º, 1983 – 11º.Vuelta a España:1973 - 6º, 1974 – 2º, 1976 – 7º, 1977 – 15º.Campeão Nacional 6 vezes consecutivas (1968 a 1973).
Vencedor das etapas míticas de:Alpe d’Huez (Tour) – 1979, Cangas de Oniz (Vuelta) – 1974, Torre – 1971, 1973, Penhas da Saúde – 1970, 1971, Solothurn Balmberg (V. Suíça) – 1972.
1º Nas Subidas de:Puerto del Léon (Vuelta) – 1972, Côte de Laffrey (Tour) – 1971, First plan (Tour) – 1969, Grammont (Tour) – 1971, Manse (Tour) – 1972, Lautaret (Tour) – 1972, Hundruck (Tour) – 1972, Oderen (Tour) – 1972, Lalouvesc (Tour) – 1977, Croix de Chabouret (Tour) – 1977.
Ciclista do Ano do CycloLusitano:1968, 1969, 1970, 1971, 1972, 1973, 1974, 1978, 1979, 1980.
Allen Ginsberg
As manifestações culturais surgidas nos Estados Unidos e na Europa na década de 1960, feitas por jovens da classe média na sua maioria, que tiveram contacto com teorias de cientistas sociais e estudiosos do comportamento humano nas universidades, expandiram-se graças à imprensa. A imprensa norte-americana criou o termo Contracultura, para designar este conjunto de manifestações de carácter intelectual e estético que se opunha ou se diferenciava das instituições e dos valores dominantes na sociedade. Surgida nos anos 50, a Geração Beat - “Beat Generation”- foi o primeiro movimento de contracultura com forte importância histórica e cultural a acontecer nos EUA. Os seus membros eram conhecidos como beatniks (rótulo que Jack Kerouac reivindica como seu): uma corrupção do nome do satélite russo Sputnik com o termo inglês beat, de vários significados, entre eles o ritmo e o aspecto depressivo, que torna essa uma geração maldita.Os beatniks eram jovens que se conheceram dentro e fora da universidade, interessados em escritos não ortodoxos como Rimbaud, Willian Blake, Melville, Withman, Kafka, Nietzsche, alguns dos quais vieram depois a ser adoptados nas universidades, sendo inclusive os professores acusados de transmitirem valores subversivos aos estudantes. Inquietos, marginais, pretendiam mostrar o seu desgosto com o status quo do consumismo e da tecnocracia, contrapondo propostas alternativas de vida. Não queriam mudar o mundo, nem fazer a revolução, mas lutar pelo direito de ser diferente. Não tinham soluções para os males do mundo. Nem para os próprios. Apesar das principais contribuições desta geração terem se dado na literatura, não é difícil identificar traços seus noutras formas de arte.A Beat Generation na literatura compreendia um número pequeno de escritores, dos quais Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William S. Burroughs são os mais conhecidos. Os três conheceram-se na Universidade Columbia, em Nova Iorque, no meio da década de 40, e tornaram-se grandes amigos, cada um encorajando o outro a escrever, até que as editoras começaram a levar o seu trabalho a sério no fim dos anos 50.Allen Ginsberg é considerado o principal poeta da “Beat Generation”. Nascido a 3 de Junho de 1926, em New Jersey, Allen Ginsberg foi uma criança complicada e tímida, dominada pelos estranhos e assustadores episódios de sua mãe, uma mulher completamente paranóica, que acreditava que o mundo conspirava contra ela. Ao mesmo tempo, Allen teve que lutar para compreender o que estava acontecendo dentro dele, já que era consumido pela luxúria de outros meninos de sua idade. Na escola secundária, descobriu a poesia, mas logo ao ingressar na Universidade de Columbia, fez amizade com um grupo de jovens delinquentes, pensadores de almas selvagens, obcecados igualmente por drogas, sexo e literatura. Ao mesmo tempo em que ajudava os amigos a desenvolverem os seus talentos literários, Allen perdia de vez a sua ingenuidade, experimentando drogas e frequentando bares gays em Greenwich Village. Assumindo um estilo de vida bizarro, como se procurasse em si mesmo a face da loucura de sua mãe, Ginsberg acabou por se submeter a tratamento psiquiátrico. Aos 29 anos, já tinha escrito muita poesia, mas quase nada publicado. Allen Ginsberg ganhou popularidade a partir de 1956, com o seu poema/livro “Uivo”. "(…)Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus, arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de uma dose violenta de qualquer coisa “hipsters” com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contrato celestial com o dínamo estrelado da maquinaria da noite, que pobres, esfarrapados e olheiras fundas, viajaram fumando sentados na sobrenatural escuridão dos miseráveis apartamentos sem água quente, flutuando sobre os tectos das cidades contemplando jazz, que desnudaram seus cérebros ao céu sob o Elevado e viram anjos maometanos cambaleando iluminados nos telhados das casas de cómodos, que passaram por universidades com olhos frios e radiantes alucinando Arkansas e tragédias à luz de William Blake entre os estudiosos da guerra, que foram expulsos das universidades por serem loucos e publicarem odes obscenas nas janelas do crânio, que se refugiaram em quartos de paredes de pintura descascada em roupa de baixo queimando seu dinheiro em cestas de papel, escutando o Terror através da parede, que foram detidos em suas barbas púbicas voltando por Laredo, com um cinturão de marijuana para Nova York, que comeram fogo em hotéis mal-pintados ou beberam terebintina em Paradise Alley, morreram ou flagelaram seus torsos noite após noite com sonhos, com drogas, com pesadelos na vigília, álcool, caralhos e intermináveis orgias, (...) " .Lançado no Outono de 1956, o longo "Uivo" foi apreendido pela polícia de San Francisco, sob a acusação de se tratar de uma obra obscena. Depois de um tumultuoso julgamento, semelhante ao que foi submetida a novela de William Burroughs, Naked Lunch, o Supremo Tribunal autorizou a publicação e vendeu milhões de exemplares. Por esse período, Ginsberg viaja pelo mundo, descobre o budismo e apaixona-se por Peter Orlovsky, que seria seu companheiro durante 30 anos, embora a sua relação não fosse monógama. No início dos anos 60, enquanto já era famoso, lança-se na cultura hippie, ajudando Thimoty Leary a divulgar o psicadélico LSD e participa num grande número de eventos, como o Human Be-In, em 1967, em San Francisco, onde é um dos que conduzem a multidão cantando o mantra OM. Ginsberg é também figura-chave nos protestos contra a guerra do Vietname na Convenção do Partido Democrático de Chicago, em 1968. Após conhecer o guru tibetano Rinpoche, Ginsberg aceita-o como seu guru pessoal. Depois, juntamente com a poeta Anne Waldman, cria uma escola de poesia. Sempre participando de eventos multiculturais, Ginsberg manteve a sua agenda social activa até a sua morte, em 5 de Abril de 1997, em Nova Iorque. As suas últimas palavras, foram “pensei que iria ter medo mas estou animado”.